Continuidade

Tudo está fadado a ser um ciclo. Saber do passado no presente é um fardo, mas saber do futuro no presente é um terror. Isso tudo pois o mundo não passa de uma continuidade, até mesmo em sua própria existência.

Não há mudança, tudo acontecerá sempre da mesma foram pois ainda somos as mesmas pessoas. Iremos ganhar os mesmos presentes, sofrer as mesmas decepções e as músicas sempre dirão a mesma coisa. Saber de tudo isso quando se cria afeição é difícil, e é um erro que podemos evitar… mas não queremos.

Queremos viver as entrelinhas do futuro, a reta sem fechar o intervalo, os bons momentos. Afinal, se vivêssemos ansiando o fim, não seria o mesmo de adorar a morte? E como posso amar algo que eu não conheço?

Será aí que terminará a Continuidade.

Sonhos e abismos.

Concentro meu pensamento no impossível, coloco três pontos no meu último passo e remo. Estou agindo de forma inconsistente, estou rastejando em pé, mas não perco meu sonho. Sinto as garras de um inevitável futuro agarrar-me com a ferocidade das imagens que passam na minha mente durante tantas madrugadas. Quero me jogar nesse abismo…

… mas penso se, além desta nota musica que não me deixam em paz, existe um outro lado neste abismo. Será que existe uma saída no abismo que são nossos sonhos? A relatividade não me deixa ter uma resposta para a minha temporal, tudo isto não é um jogo.

Preciso tentar.

A fuga da modernidade.

Não quero viver um amor moderno. A criminalidade de viver um romance açucarado me amedronta diante à plana, mas não tão plana, paixão alcançada pelo que já é tão claro. Farei amor longe das águas turvas, e me curvarei diante tanta corrupção. Serei possuído pelo menos encaixado, e lutarei, lutarei diante o que me fora roubado. Sabes que sempre pedi por este roubo, é verdade, mas também é verdade que nem me lembro que outrora me assemelhava tanto ao que me é presenteado. E mesmo que leias de trás para frente, deverás saber que também quero, então, viver um romance moderno.

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Velvet Goldmine, you stroke me like the rainSnake it, take it, panther princess you must stayVelvet Goldmine, naked on your chainI’ll be your king volcano right for you again and againMy Velvet Goldmine

Velvet Goldmine, you stroke me like the rain
Snake it, take it, panther princess you must stay
Velvet Goldmine, naked on your chain
I’ll be your king volcano right for you again and again
My Velvet Goldmine

Fantasma da semelhança

Aqui estou numa roda de amigos. Todos conversam e prestam atenção no que os outros estão dizendo. Perguntas e respostas fluem, sorrisos são libertos. Nada disso se aplica a mim, no entanto. É como se nada me atraísse a atenção, como se eu soubesse o fim de tudo aquilo. Como se eu já tivesse tentado, tentado e tentado, mas nada tivesse surtido efeito.

Decido então interromper; falo uma frase tão simples que já disse tantas vezes. Contraponho sua opinião jogando-o contra a parede, como outrora já fiz com outro alguém. Ele então olha da esquerda inferior para a direita, como se fosse um arco de 180 graus, engole um pouco de saliva enquanto faz o movimento da cabeça para trás, olhando-me de modo transversal, e diz: ‘Peraí, não é bem assim!’ aliado de uma pequena risada para dentro.

Na verdade nada disso aconteceu, a princípio. Eu parei no ‘Decido então interromper’. Eu na verdade não interrompi coisa nenhuma, apenas previ sua ação. O conheço a pouco tempo, mas ele age tão semelhante ao outro alguém que eu posso simplesmente prever seus movimentos.

Pronto, interrompi e ele fez exatamente o que previ. Foi como uma mistura de amor e ódio na mesma passagem de tempo. Eu olhei para ele e não vi semelhança física, mas seus olhos gritavam tão alto a semelhança interior que quase gritei junto. Por um lado é bom, é como uma fênix que pode trazer algo bom ou ruim, e é por este último que tenho medo. Tenho medo que as semelhanças possam causar os mesmos erros, causar as mesmas dores. Com certeza eu não estou preparado para passar por algumas coisas que passei no passado.

Sim, devo ser cauteloso. Mas eu então pergunto: Seria você cauteloso se tivesse de volta o seu filho que morreu?

Semelhanças e Destino

Será que nossas semelhanças são ditadas pela passagem do destino? A vida sempre usa os seres humanos à nossa volta para nos complementar, então por qual motivo é tão mais complicada a relação com nossos semelhantes? Será o traçado de vidas semelhantes uma previsão maligna?

A dependencia de outrem

A vida do ser humano é resumida em uma complexa teia unidimensional, com cada ato levando a outro e com nossa mente sempre percorrendo nossas relações como uma fita de máquina de turing. Nossas relações com os demais é o que definirá quem somos e para onde iremos.

Ao contrário de grandes sociólogos, eu vejo o homem como sendo nem bom e nem ruim. Somos como metal, que pode ser forjado para espadas ou simplesmente transformado em escudo.

Nossa relação com o próximo é a força que nos empurra para frente, é a força que nos faz ir sempre além para não nos sentirmos sós.