Quero introduzir este texto dizendo que sou um Gamer de longa data. Certamente não vi esta indústria nascer, mas a vi dar seus maiores passos nos últimos anos. A indústria dos videogames cresceu ao ponto de se tornar o mais rentável canal de entretenimento do mundo, gerando uma corrida atrás do ouro imensa. Mas toda esta corrida não está sendo saudável para o passatempo de milhões de pessoas ao redor do mundo.
Hoje vemos essa indústria, que cresceu lutando contra todos os problemas (que não foram poucos) encontrados no caminho, sendo ameaçada por um grupo de empresas que não acompanharam o amadurecimento do mercado de games. Estes não lutaram para seu estabelecimento nesta grande industria de entretenimento e não sabem o quão difícil foi chegar onde chegamos.
Desde que a Apple introduziu a App Store, loja de aplicativos para o seu sistema operacional portátil, o iOS, pequenos desenvolvedores do mundo todo vêem lançando jogos para iPhone, iPod Touch e iPad por preços menores que um pacote de biscoito. Estes jogos era extremamente focados e divertidos, e ótimos para gastar os vinte minutos de espera na fila do dentista. Logo estes jogos se tornaram uma febre, e foi quando grandes empresas de jogos passaram a olhar a App Store com outros olhos. Aos poucos games antes apenas vistos em videogames passaram a estar presentes em dispositivos com iOS. Foi aí que a Apple passou a anunciar seus gadgets como plataformas de jogos, e foi aí que grandes empresas passaram a sentir essa dor.
Nintendo, Sony e Microsoft passaram a estimular mais pequenos desenvolvedores a produzir jogos para suas lojas online, mas viram que este é um mercado que a quantidade importa mais que a qualidade, e os usuários de iGadgets são bem mais propícios a comprar vários jogos seguidos sem saber se são bons ou não. E é justamente aí que entra o ponto importante: Os jogos de iOS não são bons, não mesmo, mas são tão baratos que mesmo que o jogo seja uma bomba não importa, ele foi custou apenas um dólar no fim das contas. O jogador de videogame é muito mais seletivo, e prefere pagar trinta vezes este valor, ou até sessenta vezes, em um jogo de qualidade.
Como é possível ver, nós temos, teoricamente, um mercado bastante equilibrado. Mas não, ele não é. Muito jogador, em especial os casuais que ajudaram a dar uma sobrevida ao mercado de jogos de 2005 para cá, se sentiram bastante atraído pela idéia de jogos que custam tão pouco. Eles não se preocupam que estes jogos enjoam em poucos dias, ou que estes jogos não tem uma boa qualidade, eles apenas querem estar jogando o que as outras pessoas estão jogando. No final, empresas como Nintendo e Sony, que produzem videogames portáteis, acabam lutando em um mercado de nicho, um subespaço de um mercado que outrora dominavam.
Recentemente a Nintendo se viu em necessidade de cortar o preço de seu mais novo console portátil, o 3DS, por conta de baixas vendas. E foi em uma reunião com seus Acionistas que foi levantado o concelho de um analista de que a Nintendo passasse a vender seus jogos (Super Mario, Pokémon, Metroid, Zelda) na App Store. Este analista deu à Nintendo a idéia de esquecer o mercado de Hardware e fazer o mesmo que a Sega fez no século passado quando jogou a toalha de seu Dreamcast. Este analista deu a idéia à maior empresa de jogos portáteis do mundo, aquela que definiu e redefiniu, geração por geração, a forma que um videogame deve tomar, a lagar seu próprio mercado. A resposta que Satoru Iwata, presidente da Nintendo, deu a ele foi: “Enquanto eu estiver a frente desta empresa, nós não vamos desistir de nossos ideais e dar nossas franquias de mão aberta qualquer empresa. Ponto final.”.
Não é todo CEO que vai contra seus investidores desta forma. Não é toda empresa que tem tanta paixão pelas suas criações que vira as costas às pessoas que a sustentam. Não é toda companhia que tem tanta esperança em seu mercado que aposta todas as suas fichas nele. Não estou falando apenas da Nintendo, mas também da Sony que subsidiou o Playstation 3 porque tinha certeza que ele tinha chance de fazer sucesso, ao contrário do que todos diziam. Falo também da Square que com seu último centavo no bolso lançou Final Fantasy porque tinha esperança que esta fantasia não seria a última, e hoje estamos na décima quarta edição. Falo também da Sega, que mesmo recebendo todas as críticas possíveis ainda insiste em fazer um jogo de Sonic em 3D, e desta vez parece que está acertando em cheio. Eu falo de todas estas empresas que viram esse mundo de sonhos crescer, e nunca desistiram dele.
Por isso eu digo: Esta é a hora de você, Nintendista ou Sonysta, Casual ou Hardcore, fã de Call of Duty ou Battlefield, se juntar e mostrar que somos todos Gamers, que preferimos qualidade a preço baixo, que temos amor pelas nossas séries preferidas e não queremos vê-las com baixa qualidade em celular, iPod ou tablet nenhuma! Esta é a hora de, mesmo se nunca comprastes um jogo original, comprar agora. Mostrar que nos importamos, e mostrar que queremos jogos, não passatempos baratos que depois jogamos fora.
José Mahon.
